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Maior fabricante de cimento do mundo, Lafarge-Holcim pode deixar o Brasil

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Grupo franco-suíço emprega 1.600 pessoas no país, sendo 400 em Minas Gerais

Por¬†LET√ćCIA FONTES

05/06/21 – 03h00

Jornal O TEMPO

Embora não confirme, o grupo franco-suíço Lafarge-Holcim, maior fabricante de cimento do mundo, pode estar se preparando para deixar o Brasil.

O grupo anunciou o plano de vendas de todos os seus ativos no país, inclusive fábricas localizadas em Barroso, Pedro Leopoldo e Montes Claros, em Minas Gerais.

A empresa emprega cerca de 1.600 trabalhadores no país, sendo mais de 400 só em Minas Gerais.

‚ÄúAcredito que sair do Brasil esteja relacionado com a perspectiva macro, da dificuldade de operar no pa√≠s, em que se tem pouco incentivo e as leis mudam a todo momento. De qualquer forma, √© uma perda enorme‚ÄĚ, avaliou o presidente da Federa√ß√£o das Ind√ļstrias de Minas Gerais (Fiemg), Fl√°vio Roscoe.

O comunicado da sa√≠da da empresa vem acompanhado de diversas multinacionais que t√™m deixado o pa√≠s nos √ļltimos meses.

Em janeiro, a Ford informou que encerraria sua produção no país, após mais de cem anos de funcionamento e com a demissão de 5.000 pessoas.

Em mar√ßo, foi a vez de a Sony fechar sua f√°brica na Zona Franca de Manaus, ap√≥s 48 anos. A LG e Mercedes-Benz tamb√©m anunciaram a sa√≠da do Brasil em meio √† crise econ√īmica.

Temor. Para o presidente da Federa√ß√£o dos Trabalhadores nas Ind√ļstrias da Constru√ß√£o e do Mobili√°rio do Estado de Minas Gerais (Feticom-MG), Wilson Geraldo, apesar de n√£o se ter informa√ß√Ķes sobre demiss√Ķes, produ√ß√£o e prazo para que as transa√ß√Ķes sejam conclu√≠das, a not√≠cia √© preocupante.

‚ÄúA empresa tem acordos coletivos e sal√°rios muito bons. O nosso temor √© que, com a venda, essa tradi√ß√£o seja interrompida, porque sempre h√° mudan√ßas quando esses processos ocorrem, e muitas vezes h√° fechamento de f√°bricas‚ÄĚ, afirma o tamb√©m presidente do sindicato de Pedro Leopoldo, na regi√£o metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo Geraldo, a entidade j√° solicitou ao Minist√©rio P√ļblico do Trabalho (MPT) detalhes de como ser√° conduzida a venda dos ativos. ‚ÄúA quest√£o √© que tudo est√° sendo decidido pela matriz na Su√≠√ßa. √Č uma perda enorme para o pa√≠s‚ÄĚ, diz.

Procurada, a Prefeitura de Barroso, onde est√° uma das principais opera√ß√Ķes da multinacional no Estado, informou que n√£o foi comunicada oficialmente sobre a poss√≠vel sa√≠da da empresa do pa√≠s e que, por isso, aguarda uma confirma√ß√£o para se pronunciar.

A Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços (Acib) da cidade também afirmou que vai aguardar um comunicado oficial da empresa para comentar o caso.

S√≥ em Barroso, a estimativa √© que a empresa seja respons√°vel pelo emprego direto e indireto de mais de 400 pessoas. 

Por meio de nota, a Ag√™ncia de Promo√ß√£o de Investimento e Com√©rcio Exterior de Minas Gerais, vinculada √† Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econ√īmico, destacou que tamb√©m n√£o foi informada sobre a decis√£o da empresa de parar suas atividades no Estado.

A Lafarge-Holcim informou √† reportagem que n√£o iria comentar o assunto. 

Venda estaria relacionada a prejuízos

A saída da empresa do país pegou empresários de surpresa, porque as vendas de cimento no país tiveram crescimento de 19% no primeiro trimestre deste ano.

Segundo o Sindicato Nacional da Ind√ļstria do Cimento (SNIC), foram vendidas 15,3 milh√Ķes de toneladas no per√≠odo, sendo 5,5 milh√Ķes somente em mar√ßo.

Na comparação entre março de 2021 e março de 2020 o crescimento registrado foi de 34,6%.

Mas, para o presidente da Federa√ß√£o das Ind√ļstrias de Minas Gerais (Fiemg), Fl√°vio Roscoe, a poss√≠vel venda de ativos da empresa no pa√≠s pode estar ligada a preju√≠zos.

“√Č muito dif√≠cil uma ind√ļstria decidir sair, porque o investimento industrial √© imobilizado, ningu√©m sai se n√£o tiver um preju√≠zo razo√°vel. Uma empresa que anuncia que quer vender (seus ativos) e sair do pa√≠s, ela quer liquidar, ela n√£o est√° vendendo por oportunidade. √Č uma perda enorme‚ÄĚ, pontuou.

Segundo uma fonte informou ao ‚ÄúEstad√£o‚ÄĚ, a sa√≠da da Lafarge-Holcim do Brasil pode n√£o ser f√°cil, porque o setor √© muito concentrado, o que deve levar o Conselho Administrativo de Defesa Econ√īmica (Cade) a barrar o neg√≥cio, caso seja fechado com alguma concorrente de grande porte.

J√° empresas menores n√£o teriam f√īlego financeiro para a aquisi√ß√£o.

A venda das opera√ß√Ķes locais nos planos da Lafarge-Holcim vem ocorrendo de forma gradual desde 2015.

Na √©poca, o grupo vendeu ativos avaliados em cerca de US$ 350 milh√Ķes para o grupo irland√™s CRH, o que diminuiu consideravelmente seu porte no Brasil.

√Ä √©poca, o pacote de venda incluiu tr√™s f√°bricas de cimento (Matozinhos e Arcos Jazida, da Lafarge, e Cantagalo, da Holcim), duas esta√ß√Ķes de moagem (Arcos Cidade e Santa Luzia, da Lafarge) e uma ind√ļstria de mistura pronta de cimento (Pouso Alegre, da Holcim).

(Com agências)

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