Foto not√≠cia - Planos de sa√ļde t√™m maior preju√≠zo operacional j√° registrado, de R$ 11,5 bi
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Planos de sa√ļde t√™m maior preju√≠zo operacional j√° registrado, de R$ 11,5 bi

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Resultado de 2022 foi o pior da s√©rie hist√≥rica, iniciada em 2001. Ganhos financeiros com alta de juros garantiram, por√©m, lucro l√≠quido de R$ 2,5 milh√Ķes. ANS v√™ setor no ‘zero a zero’

O ano de 2022 foi o pior da hist√≥ria do setor de planos de sa√ļde, desde o in√≠cio da s√©rie hist√≥rica elaborada pela Ag√™ncia Nacional de Sa√ļde Suplementar (ANS) a partir de 2001. O preju√≠zo operacional acumulado em 12 meses foi de R$ 11,5 bilh√Ķes, o maior em mais de duas d√©cadas. No entanto, abaixo dos R$ 15 bilh√Ķes estimados pelo mercado.

Mas, considerando o resultado financeiro, as contas fecharam no que a ANS chamou de zero a zero, j√° que o lucro l√≠quido foi de R$ 2,5 milh√Ķes, que representa 0,001% das receitas de opera√ß√Ķes de sa√ļde do setor no ano passado, de R$ 237,6 bilh√Ķes.

‚ÄĒ Foto: Editoria de Arte

Na avalia√ß√£o de Paulo Roberto Rebello, presidente da ANS, o mercado vive um momento peculiar. Apesar de um crescimento constante na base de clientes desde o in√≠cio da pandemia ‚ÄĒ o n√ļmero de benefici√°rios em planos m√©dico-hospitalares foi de 47 milh√Ķes em dezembro de 2019 para 50,4 milh√Ķes em dezembro de 2022 ‚ÄĒ os resultados v√™m piorando.

‚ÄĒ Em princ√≠pio, as despesas assistenciais n√£o apresentaram crescimento que possa justificar sozinha o aumento da sinistralidade, o percentual das receitas com mensalidades consumidas pelas despesas assistenciais. Entretanto, as receitas advindas das mensalidades parecem estar estagnadas, especialmente nas grandes operadoras ‚ÄĒ analisa Rebello, que v√™ sinais de melhoras no quarto trimestre.

Vera Valente, diretora-executiva da FenaSa√ļde, associa√ß√£o que re√ļne as maiores empresas do setor, n√£o concorda com a avalia√ß√£o da ANS de que o resultado de 2022 representa um zero a zero. E afirma ter uma vis√£o mais pessimista para este e o pr√≥ximo ano.

‚ÄĒ N√£o se opera num setor de alt√≠ssimo risco para ganhar dinheiro em aplica√ß√£o financeira. H√° uma parte das empresas, inclusive, que defende a libera√ß√£o das aplica√ß√Ķes financeiras (os ativos garantidores) para dar um al√≠vio no setor. Cerca de 40% dos benefici√°rios est√£o em operadores que registraram preju√≠zo operacional. Na minha avalia√ß√£o, esse quadro n√£o se reverte no curto prazo. √Č um grave momento do setor ‚ÄĒ afirma Vera.

Amil tem o maio prejuízo

A empresa que registrou o maior preju√≠zo em 2022 foi a Amil, com resultado negativo em R$ 1,6 bilh√£o. No segundo lugar desse ranking est√° a Prevent Senior, com preju√≠zo de R$ 872 milh√Ķes, seguida pela Metlife (-R$ 626 milh√Ķes). A Unimed-Rio, que acumulava preju√≠zo de R$ 1,3 bilh√£o at√© o terceiro trimestre, n√£o aparece no ranking porque n√£o entregou os dados do quarto trimestre.

No topo da lista das empresas com melhores resultados est√° a Bradesco Sa√ļde, com lucro de R$ 690,53 milh√Ķes ‚ÄĒ n√£o por acaso, a empresa que tem maior reserva do segmento ‚ÄĒ, seguida por SulAm√©rica (R$ 485,91 milh√Ķes) e Odontoprev (R$ 452,17 milh√Ķes).

‘Downgrade’ de plano de sa√ļde

O fato de a receita n√£o acompanhar a evolu√ß√£o no n√ļmero de benefici√°rios pode ser em parte explicada pelo downgrade dos planos de sa√ļde. Ou seja, a base cresceu, mas o valor m√©dio dos planos caiu. Para n√£o deixar o benef√≠cio, fam√≠lias e empresas trocaram seus contratos por outros mais baratos.

Há quem diga ainda que houve uma subprecificação por parte das operadoras na intenção de aumentar sua base de clientes.

Com o aperto econ√īmico dos √ļltimos anos, as operadoras dizem ainda que n√£o foi poss√≠vel repassar os aumentos de custos para as empresas, principais contratantes de planos de sa√ļde do pa√≠s, com cerca de 80% do mercado. E lembram que a m√©dia dos reajustes coletivos no ano passado foi menor do que a dos planos individuais: 11% contra 15%.

Isso quer dizer que o percentual de aumento este ano deve ser mais alto. Ser√° preciso recompor a margem, dizem, mesmo que isso signifique em alguns casos reduzir a base de clientes.

Al√©m disso, o setor viveu uma forte onda de fus√Ķes e aquisi√ß√Ķes nos √ļltimos tempos, o que al√©m de endividamento pode ter provocado, em alguns casos, perda de efici√™ncia durante o processo de integra√ß√£o.

– Embora os √ļltimos dados mostrem que os resultados menos favor√°veis s√£o observados nas maiores operadoras, ainda √© cedo para avaliar. A busca por ganhos de escala no setor √© natural devido √† pr√≥pria natureza do neg√≥cio das operadoras – analisa o presidente da ANS.

Ele complementa:

– √Č necess√°rio tempo para que as unidades adquiridas estejam com as engrenagens ajustadas. Esse per√≠odo de busca de sinergias empresariais pode resultar em investimentos adicionais e seus resultados efetivos podem n√£o ser vis√≠veis em um espa√ßo t√£o curto de tempo, especialmente ap√≥s uma pandemia como a que passamos

‘Reajustes que penalizam consumidor’

O percentual das receitas com mensalidades gasto com a assistência (a chamada sinistralidade), aumentou 2,1 pontos percentuais de 2021 para 2022 e chegou a 89,21%.

Na avalia√ß√£o do economista Lucas Andrietta, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Planos de Sa√ļde e Intera√ß√Ķes P√ļblico-Privadas da USP, os dados est√£o longe de mostrar uma crise estrutural do setor.

‚ÄĒ O aumento da sinistralidade pode estar relacionado ao represamento ocorrido durante a pandemia. Era um efeito previs√≠vel e sua contrapartida foi um resultado econ√īmico extravagante em 2020. A dita preocupa√ß√£o com a sustentabilidade financeira e a sa√ļde da clientela indicaria a √≥bvia necessidade de se fazer provis√Ķes para as oscila√ß√Ķes dos anos seguintes. O que sabemos hoje √© que, ao longo dos anos, o setor tem sido capaz de manter receitas crescentes via reajustes de pre√ßo que penalizam consumidores, sobretudo idosos que n√£o podem pagar ‚ÄĒ pontua o economista.

Terapias e tecnologia pesam na conta

Na avalia√ß√£o do economista Rodrigo Mendes Leal, diretor da Associa√ß√£o Brasileira de Economia da Sa√ļde (Abres), √© preciso analisar esse preju√≠zo operacional do setor como reflexo de um momento extraordin√°rio que foi a pandemia.

Ele destaca ainda que em setores regulados, como o de sa√ļde, n√£o deve haver um repasse total de custos ao consumidor, √© esperado que o c√°lculo de reajuste traga incentivos a ganho de efici√™ncia das empresas. Leal defende um maior monitoramento de pre√ßos de venda pela ANS:

– √Č preciso garantir que as empresas tenham um pre√ßo m√≠nimo que garanta a presta√ß√£o de servi√ßo adequada para que n√£o se veja uma estrat√©gia que atrai o consumidor, para no ano seguinte aplicar reajustes altos para recompor a margem do contrato. Ali√°s, essas margens, que eram tradicionalmente entre 2% e 4%, chegaram a 8% em 2020.

Na avalia√ß√£o da diretora-executiva da FenaSa√ļde, no entanto, o aumento de uso n√£o est√° mais relacionado ao represamento de procedimentos vivido na pandemia, mas a uma mudan√ßa de comportamento. Vera pontua ainda que as contas das operadoras foram fortemente impactadas pela libera√ß√£o de terapias sem limites e a incorpora√ß√£o de novas tecnologias.

‚ÄĒ Esse excesso de tecnologia cara sendo incorporada sem crit√©rio adequado preocupa, estamos falando em medicamentos de R$ 6 milh√Ķes, R$ 10 milh√Ķes. Vamos precisar ter uma conversa madura em sociedade sobre isso, pois em nenhum lugar do mundo √© poss√≠vel dar tudo a todos. Al√©m disso, houve um aumento significativo de fraude, da pandemia para c√°, que tamb√©m est√° pesando na conta ‚ÄĒ pondera a executiva.

Rebello destaca que o mercado opera em segurança:

– A gest√£o de sa√ļde privada nas operadoras de planos deve se pautar pelo mapeamento, identifica√ß√£o e gest√£o dos riscos ao qual a entidade est√° exposta. Sejam eles assistenciais ou financeiros. Como dito anteriormente, apesar das dificuldades, o mercado apresenta condi√ß√Ķes de operar em seguran√ßa. O plano de sa√ļde que conhecemos hoje √© muito diferente do que existia h√° 30 anos, e mais ainda dos primeiros seguros de sa√ļde no in√≠cio do s√©culo XX. A reinven√ß√£o desse produto faz parte da evolu√ß√£o natural da sociedade e do avan√ßo da medicina.

Mais informação e transparência

Ana Carolina Navarrete, coordenadora do programa de Sa√ļde, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), pontua que as operadoras atuam seguindo uma l√≥gica securit√°ria, ou seja, s√£o quantificadoras de risco, tendo instrumentos que lhes permitem diluir riscos equilibrando perdas entre um ano e outro.

‚ÄĒ Da mesma forma como foram admitidos resultados positivos unilaterais em situa√ß√Ķes como a pandemia de Covid-19, resultados negativos ou como mostram os dados da ANS, zero a zero, decorrentes de situa√ß√Ķes plenamente antecip√°veis, como a retomada de procedimentos p√≥s-pandemia, devem ser suportados pelas empresas sem que consumidores sejam responsabilizados por condi√ß√Ķes que poderiam ter sido antecipadas por quem faz a gest√£o financeira do servi√ßo ‚ÄĒ diz Ana Carolina.

A especialista diz ainda que talvez a situa√ß√£o fosse diferente se em 2020 a ANS tivesse atendido o pedido do Idec e criado uma c√Ęmara t√©cnica para avaliar o impacto da pandemia nos reajustes das mensalidades:

‚ÄĒ Agora, o risco de repasse direto do risco aos consumidores, por meio de altos reajustes √© grande, e n√£o h√° instrumentos, hoje, que assegurem ao usu√°rio que o aumento √© justificado. Por isso, √© t√£o importante o setor avan√ßar para uma regula√ß√£o que permita mais transpar√™ncia na formula√ß√£o dos pre√ßos, especialmente dos planos coletivos. Hoje, a operadora indica o percentual e o consumidor ou se aperta para pagar, ou faz a portabilidade (quando encontra aonde ir) ou perde o plano. N√£o tem como ele saber se o percentual √© justificado.

Andrietta pondera que é preciso maior transparência e disponibilidade de dados para que se possa entender os componentes das despesas assistenciais:

‚ÄĒ Apenas com a clareza e abund√Ęncia de informa√ß√Ķes podemos discutir o papel de prestadores, modelos de remunera√ß√£o e outros aspectos organizacionais ‚ÄĒ avalia.

Fonte:

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2023/04/planos-de-saude-tem-maior-prejuizo-operacional-ja-registrado-de-r-115-bi.ghtml?utm_source=globo.com&utm_medium=oglobo

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